Medo
Era um dia como outro qualquer. Cinco e meia da tarde, o sol já começava a desaparecer. Eduardo prefere ficar em casa assistindo TV a ir pra rua jogar futebol com os amigos. Ele vai até a cozinha, abre a geladeira, pega um refrigerante e volta continuar ver televisão. Estava sozinho em casa. Gostava disso, gostava dessa liberdade. Ficar sozinho era sempre muito bom, ele podia fazer tudo que quisesse. Estava totalmente entretido com o jogo de futebol que estava passando na televisão. Era só ele e mais ninguém. Que dane-se o mundo! – Dizia ele. O jogo estava bom, muito bom. O seu time estava vencendo o jogo, a bebida tava deliciosa, o confortável sofá estava aconchegante, um ar puro e fresquinho vinha da janela do quarto assoprar suavemente o seu rosto, causando-lhe uma deliciosa sensação de relaxamento.O silêncio pairava no ar, apenas a voz do narrador esportivo empolgado com os lances do jogo era ouvida. Estava tudo correndo como deveria: bem. De repente, um ruído estranho no corredor da casa. Que barulho estranho era aquele. Pensou o rapaz. Pareciam pisadas de gente, ele tinha certeza que algo estranho estava acontecendo no lado esterno da sua casa. Alguém parecia estar se dirigindo em direção à porta dos fundos da casa. Ficou atônito. Quem poderia ser?! Os pais não poderiam, quando chegassem, entrariam pela porta da frente, sem falar que ouviria o ruído das chaves abrindo os cadeados do portão e da porta. O que pareciam passos, aliás, eram, se tornavam mais audíveis e conseqüentemente temerosos. O coração de Edu batia cada vez mais forte. Seria um ladrão? Se fosse, o que ele queria na casa dele, roubar o quê? O Medo tomava completamente conta do seu ser. E se o ladrão estivesse armado?Pensava ele. E se o impostor além de roubá-lo fizesse algum mal ? E se o matasse? Inesperadamente, naquele exato momento, faltou luz na casa e , por consequência, abruptamente, desliga-se a TV e o silêncio na casa é ainda maior. A escuridão já começara a tomar conta da casa, já eram quase dezoito horas. E agora, o que ele faria? O coração de Eduardo quase saia pela boca. Ele ouve nitidamente pisadas de gente em direção à porta dos fundos. Vagarosamente, ele ouve alguém empurrar lentamente a porta velha e frágil que dava acesso à cozinha. Eduardo corre para sala de estar, que ficava em frente à cozinha a fim de surpreender o estranho que tentava entrar em sua casa, mas o medo era grande, muito grande; sem falar que Eduardo não tinha nem uma arma pra se proteger, como faria? As pisadas continuavam bem lentamente. Agora o estranho já estava na cozinha, ele podia sentir as suas pisadas. Eduardo lembrou que o seu pai guardava, atrás da porta de um dos quartos, um porrete de madeira. Ele poderia usá-lo como arma. A preocupação de Eduardo era surpreender o ladrão antes que fosse surpreendido. Dudu percebe que o estranho está saqueando a cozinha. Ele ouve ruídos no armário, em seguida na geladeira. Mas que o ladrão queria com a geladeira? A maior preocupação de Eduardo era com o dinheiro que estava na gaveta do armário. Seu pai, sempre que recebia dinheiro, nunca colocava no banco, às vezes deixava na gaveta do quarto, às vezes deixava na gaveta da cozinha: se o ladrão conseguisse levar o dinheiro da gaveta, certamente a família iria passar dificuldades financeiras, pois o salário integral de seu Humberto estava lá, e era provavelmente isso que o ladrão procurava. Mas e a geladeira, por que o estranho estava abrindo a geladeira? De repente Eduardo dá um grito bem alto e diz: - Quem está aí? Um silêncio paira no ar. Parece que o estranho sumiu como um passe de mágica. Eduardo insiste em dizer: - Eu estou armado, é melhor você aparecer antes que possa acontecer alguma fatalidade. Quem é você, o que quer na minha casa? Se o estranho soubesse o medo que Eduardo estava...mesmo assim, o alguém não respondia absolutamente nada. Eduardo nem ao menos sabia onde ele estava. As suas pernas tremiam de medo, ele sabia que a qualquer momento poderia ser surpreendido pelo bandido. Até mesmo um tiro poderia ser disparado contra ele. Eduardo começava andar lentamente pela cozinha, olhando atrás de cada móvel: mesa, armários, pia, fogão... O medo era cada vez maior, pois o silêncio era assustador, onde se metera o impostor?Onde ele poderia estar? Será que um porrete de madeira faria diferença frente a um bandido provavelmente armado com revolver? Quem está aí? insistia Eduardo. Lentamente, com o porrete em mãos, tremendo como rara verde ele foi se aproximando da geladeira, quando de repente, ele percebe que o estranho está escondido atrás do eletrodoméstico. Eduardo pergunta tremendo de medo, a sua voz saia trêmula: quem está aí? Ninguém respondia, o que causava ainda mais medo em Eduardo. Ele já estava imaginando o ladrão saindo de trás de geladeira disparando contra ele tiros à queima roupa. Eduardo se aproximou da geladeira e perguntou pela última vez: quem está aí? Se o estranho não respondesse, ele tentaria surpreendê-lo por trás golpear mortalmente o rapaz, quando de repente ele percebe que o pé do sujeito fica exposto, na parte lateral da geladeira. Era uma perna pequena, um pé pequeno, parecia ser um anão. Pensou Eduardo: um impostor anão. Talvez seja mais fácil fácil domina-lo. Quando Eduardo deu o último grito de ordem para o intruso sair de trás da geladeira e preparava pra golpear o bandido, sai de trás da geladeira, desconfiado, envergonhado e com muito medo, seu irmão mais novo, que estava jogando bola na rua, tinha pulado o muro na hora de entrar em casa, e estava assaltando a geladeira, roubando um delicioso pedaço de pudim que a mãe prepara horas antes e não autorizara ninguém a mexer até que ele chagasse da rua.
Rafael Dias
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