DESTINO
Ele tinha tudo para ser feliz, tudo para ser “o cara”, mas definitivamente não foi. Eu poderia até pensar que todas as adversidades que lhe foram sucedidas eram coisas do destino, mas infelizmente não acredito nelas. Seu nome era Adolfo, por ser extremamente sociável com as pessoas, era popularmente conhecido como amigão. Garoto bonito, inteligente e carismático. O cara era um figura, porém preguiçoso ao extremo e ,além disso, era meio esquizofrênico: se bem que essa coisa de “ meio” não existe, pelo menos em se tratando de abstrações. Ou é ou não é; mas como tem gente por aí dizendo: “aquele cara, o meio gay.”, “ aquele rapaz, o meio corno”, e por aí vai, então, utilizo esses exemplos como base de sustentação do meu argumento e digo que ele era meio estranho mesmo. Enxergava uma nuvem negra nos seus horizontes, punha obstáculos em tudo; até pra comer, o camarada tinha preguiça. Nunca tinha arrumado um emprego, aliás, arrumou vários, porém, nunca passou mais de uma semana em cada um deles, ou melhor, passou sim, teve um, apenas um, que ele passou oito dias, mas só conseguiu essa proeza porque faltou ao trabalho na segunda e terça feiras, afinal, nas noites anteriores, tivera uma grande festa do padroeiro de uma cidade que não me recordo o nome, portanto, claro, o amigão tinha que dormir bastante para recuperar as forças para voltar ao trampo. O rapaz tinha apenas 22 anos, mas se dizia viver cheio de doenças que geralmente, só desenvolvem em pessoas muito idosas. Segundo ele, tinha problemas cardíacos, anemia, síndrome do pânico, problemas respiratório, dor nos ossos...Se não bastasse todas essas enfermidades que dizia ter ,existia ( essa parecia ser real pelo tamanho das bolas dele) uma hérnia enorme que estava prestes a explodir de tão grande, além de tudo isso, pra completar, tinha alergia a medicamentos, entretanto, pra lhes ser sincero, sem querer desfazer das palavras dele, a única doença de verdade que acometia o nosso amigão era a preguicite aguda. Essa enfermidade não demoraria a levá-lo para as profundezas do inferno, pois com certeza, estava no estado terminal. Já perdi as contas dos números de namoradinhas que ele perdeu só por ser um preguiçoso.
Um grande amigo dele, do nosso querido Amigão, resolveu dar um basta na vida preguiçosa que levava. Ofereceu um emprego em um curso especializado em ministrar aulas preparatórias para concursos públicos jurídicos.
- Adolfo, aceita a proposta?
- Claro, por que não? Qual foi a vez que eu recusei trabalho? Bom, o que tenho que fazer? Qual será a minha função?
– Bem, Adolfo, tudo que você tem que fazer é recepcionar os alunos quando vieram às aulas e sempre prezar pela limpeza do ambiente .Pode ser?
- Tranqüilo, Dr. Alcidz, pode deixar.
– Em relação ao salário que vamos lhe pagar, não é muita coisa, mas com certeza vai lhe ser muito útil, assim como o seu trabalho prestado a nossa empresa será muito importante.
– Que salário , Dr. Alcidz, a última coisa que eu vou me preocupar aqui é com o solário, que por sinal é muito bom! O que eu quero mesmo é trabalhar, mostrar serviço.
- Fabrício, meu filho, acorde! Precisa ir trabalhar!
– Poxa, mãe, estou cansado pra caramba! Nunca tive um emprego tão ruim assim, aliás, isso não é emprego, é trabalho. Esse serviço é muito enfadonho, metódico. Sem falar nas pessoas que estudam lá: um bando de chato insuportável!
– A vida não são flores. Depois você consegue algo melhor, mas por enquanto, fica lá; você vai ganhar experiência e dinheiro. Vem logo que o seu cafezinho já está na mesa.
– Que nada, mãe, isso é dinheiro?! Eu ganho apenas um salário- mínimo, não dá pra nada!
– Meu filho, antes era bem pior, você não ganhava nada.
–Prefiro ficar sem ganhar dinheiro a ficar recebendo uma miséria.
. – veja o lado bom das coisas: você está custeando a faculdade com esse salário.
- Que faculdade que nada! Esse curso que eu faço é uma porcaria. Os professores são um bando de irresponsáveis. Aposto que quando me formar, vou ganhar ainda menos do que eu ganho hoje! Sabe de uma, vou é largar essa porra!
- Dr. Alcidz, gostaria muito de conversar com o senhor.
- Pois não?
- Infelizmente, não vou poder mais trabalhar contigo. Fui advertido por um médico amigo meu que me afastasse do trabalho por tempo indeterminado, pois o estres causado pelo ofício está comprometendo meu sistema nervoso, por isso, eu me demito.
(...)
- Que tédio ficar só em casa!
- Tá vendo como o trabalho está te fazendo falta, meu filho!
- Tá não mãe, falta me faria a senhora.
Obs.: Publiquei esse texto em algum lugar que não me recordo onde.Sinceramente.
Obs.: Publiquei esse texto em algum lugar que não me recordo onde.Sinceramente.
Rafael Dias
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